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21 anos sem os Mamonas Assassinas

 A história do sucesso meteórico do grupo Mamonas Assassinas e sua morte trágica em um acidente aéreo, há exatos 21 anos atrás

No auge do sucesso, a banda Mamonas Assassinas desaparecia num trágico acidente aéreo na volta de mais um show da turnê que correu o Brasil. O jatinho que transportava os integrantes do grupo de músicas e performances irreverentes  chocou-se, no fim da noite do dia 2 de março de 1996, com a Serra da Cantareira, a poucos minutos do pouso em Guarulhos, cidade natal dos Mamonas.

Hoje, 21 anos após o acidente o grupo ainda é reverenciado por uma verdadeira legião de fãs. O irreverente e polêmico grupo que estourou em todas as paradas de sucesso no Brasil, com a penas 8 meses de carreira, já embarcariam, no dia seguinte ao acidente, para Portugal, abrido sua primeira turnê internacional.

Criticado por alguns, que viam em suas letras um exemplo negativo para as crianças, devido algumas palavras de baixo calão usadas em algumas letras, o grupo atropelou tudo e todos, se tornando o conjunto com a carreira mais meteórica da música nacional.

Mamonas Assassinas foi uma banda brasileira de rock cômico formada em Guarulhos em 1990, inicialmente tinha o nome de Utopia.Mamonas Assassinas: Do estrondoso sucesso a uma trágica e prematura morte

Mamonas Assassinas: Do estrondoso sucesso a uma trágica e prematura morte

O som era uma mistura de punk rock com influências de gêneros populares, tais como forró (Jumento Celestino), brega (Bois Don’t Cry), heavy metal (Débil Metal), pagode (Lá Vem o Alemão), música mexicana (Pelados em Santos), reggae (Onon Onon) e vira (Vira-Vira).

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A carreira da banda, com o nome de Mamonas Assassinas, durou de julho de 1995 até 2 de março de 1996 (pouco mais de 7 meses). Tiveram um sucesso meteórico. Com um único álbum de estúdio, Mamonas Assassinas, lançado em junho de 1995, o grupo vendeu mais de 3 milhões de cópias no Brasil, sendo certificado com disco de diamante comprovado pela ABPD.

Com letras bem-humoradas, o álbum lançou os “Mamonas” ao estrelato nacional. Porém, em março de 1996, no auge da carreira, a banda foi vítima de um acidente aéreo fatal sobre a Serra da Cantareira, o que ocasionou a morte de todos os seus integrantes.

                                 Utopia: O início da banda

O início da carreira do grupo começou com a Banda Utopia
O início da carreira do grupo começou com a Banda Utopia

Em março de 1989, Sérgio Reoli, ao trabalhar na Olivetti, conhece Maurício Hinoto, irmão de Bento. Ao saber que Sérgio é baterista, Maurício decide apresentar o irmão, que toca guitarra. A partir daí, Sérgio conhece Bento e decidem criar uma banda. Na época,Samuel Reoli, irmão de Sérgio, não se interessava em música, preferindo desenhar aviões.

Todos, desde meninos, tinham paixão por aviões e tragicamente perderam a vida em um
Todos, desde meninos, tinham paixão por aviões e tragicamente perderam a vida em um

Contudo, ao ver Sérgio e Bento ensaiarem em sua casa, Samuel se interessou pela música e passou a tocar baixo elétrico. Estava formada, assim, a “cozinha”, com baixo, guitarra e bateria.

Os três formaram o grupo Utopia, especializado em “covers” de grupos como Ultraje a RigorLegião UrbanaTitãsParalamas do SucessoBarão Vermelho e Rush, entre outras. Em um show, em julho de 1990, o público pediu para tocarem uma música dos Guns N’ Roses, e como não sabiam a letra, pediram a um espectador para ajudá-los. Alecsander Alves, conhecido como Dinho, voluntariou-se para cantar e provocou grandes risadas da plateia, com sua performance escrachada, garantindo o posto de vocalista da banda. Por meio de Dinho, entrou o quinto integrante da banda, o tecladista Júlio Rasec.

Utopia passou a apresentar-se na periferia de São Paulo e lançou um disco que vendeu menos de cem cópias: A Fórmula do Fenômeno. Aos poucos, os integrantes começaram a perceber que as palhaçadas e músicas de paródia que faziam nos ensaios para se divertirem eram mais bem recebidas pelo público do que “covers” e músicas sérias.

Gradualmente, foram apresentando nos shows algumas paródias musicais, com receio da aceitação do público. O público, porém, aceitava muito bem as músicas escrachadas. O Utopia percebeu a chave para o sucesso da banda.

Por meio de um show em um bar em Guarulhos, conheceram o produtor Rick Bonadio (mesmo empresário da banda de Santos Charlie Brown Jr.). Gravaram duas músicas, Pelados em Santos e Robocop Gay, e decidiram mudar o perfil da banda, a começar pelo nome, Mamonas Assassinas do Espaço, criado por Samuel Reoli e reduzido para Mamonas Assassinas.

                                  Mamonas Assassinas

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 A banda enviou uma fita demo com as músicas Pelados em SantosRobocop Gay e Jumento Celestino para três gravadoras, entre elas Sony Music e EMI. Rafael Ramos, baterista da banda Baba Cósmica e filho do diretor artístico da EMI, João Augusto Soares, insistiu na contratação. Após assistir a uma apresentação do grupo em 28 de abril de 1995, João Augusto resolveu assinar contrato com os Mamonas.

Após gravar um disco produzido por Rick Bonadio (apelidado pela banda de Creuzebek), os Mamonas saíram em uma exaustiva turnê, apresentando-se em programas como Jô Soares Onze e MeiaDomingo Legal, Programa Livre, Domingão do Faustão e Xuxa Park. Tocavam cerca de oito vezes por semana, com apresentações em 25 dos 27 estados brasileiros e ocasionais dois shows por dia. O cachê dos Mamonas tornou-se um dos mais caros do país, variando entre R$50 mil e R$ 70 mil, e a EMI faturou cerca de R$80 milhões com a banda. Em certo período, a banda vendia 100 mil cópias a cada dois dias.

Em 1992, quando eram o Utopia, os integrantes tentaram tocar no Estádio Paschoal Thomeo (conhecido como Thomeozão), em Guarulhos. Foram, porém, expulsos pelo dirigente do estádio, considerando que a banda nunca iria fazer sucesso devido a seu nome. Em janeiro de 1996, já como Mamonas, os cinco lotaram o estádio. Esse show ficou marcado por vídeos amadores que monstram o momento em que Dinho senta no palco e começa a fazer um desabafo, onde diz que nunca se deve deixar de acreditar. Pois os Mamonas sempre tiveram o sonho de tocar ali (no Thomeozão) tiveram a porta fechada na cara, não desistiram e naquele dia eles lotavam a “casa”.

O logotipo da banda é uma inversão da logomarca da Volkswagen, colocada de ponta-cabeça, formando assim um M e um A de “Mamonas Assassinas”. Dois veículos da empresa alemã são citados nas canções: em “Pelados em Santos”, a Volkswagen Brasília, e em “Lá vem o Alemão”, a Volkswagen Kombi. Os Mamonas preparavam uma carreira internacional, com partida para Portugal preparada para 3 de março de 1996.A Brasília amarela foi o tema de um dos maiores sucessos do grupo

A Brasília amarela foi o tema de um dos maiores sucessos do grupo

Acidente e fim trágico

No dia 2 de Março, enquanto voltavam de um show em Brasília, o jatinho Learjet em que viajavam, prefixo PT-LSD, chocou-se contra a Serra da Cantareira, numa tentativa de arremetida, matando todos que estavam no avião.

O enterro, no dia 4 de Março no cemitério Parque das Primaveras, em Guarulhos-SP, fora acompanhado por mais de 65 mil fãs (em algumas escolas, até mesmo não houve aula por motivo de luto) . O enterro também foi transmitido na televisão, com canais interrompendo sua programação normal.

Milhões de pessoas em todo o Brasil pararam para assistir o funeral
Milhões de pessoas em todo o Brasil pararam para assistir o funeral

                                   O acidente

A aeronave havia sido fretada com a finalidade de efetuar o transporte do grupo musical para um show no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. No dia 1º de março de 1996, transportou esse grupo de Caxias do Sul para Piracicaba, onde chegou às 15h45.

No dia 2 de março de 1996, com a mesma tripulação e sete passageiros, decolou de Piracicaba, às 07h10, com destino a Guarulhos, onde pousou às 7h36. A tripulação permaneceu nas instalações do aeroporto, onde, às 11h02, apresentou um plano de voo para Brasília, estimando a decolagem para as 15h00. Após duas mensagens de atraso, decolaram às 16h41.

O pouso em Brasília ocorreu às 17h52. A decolagem de Brasília, de regresso a Guarulhos, ocorreu às 21h58. O voo transcorreu sem anormalidade. Na descida, o piloto em vez de fazer uma curva para a direita, virou o avião Lear Jet 25, prefixo PT-LSD, para a esquerda, chocando-se com a Serra da Cantareira

Em consequência do impacto, a aeronave foi destruída e todos os ocupantes faleceram no local.

O acidente acabou com a carreira meteórica dos Mamonas Assassinas
O acidente acabou com a carreira meteórica dos Mamonas Assassinas

 

                                 Nota adicional

Uma operação equivocada do piloto é a versão do Departamento de Aviação Civil (DAC) para explicar o acidente com o jatinho que causou a morte dos cinco integrantes do grupo Mamonas Assassinas na noite de 2 de março de 1996, em São Paulo, a 10 quilômetros do Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Erro do piloto? Era ele quem comandava o avião? Fatalidade? Destino?
Erro do piloto? Era ele quem comandava o avião? Fatalidade? Destino?

Além dos componentes da banda, Dinho, que completaria 25 anos dali a três dias, os irmãos Samuel (que completaria 23 anos no dia 11 de março) e Sérgio, Júlio e Bento, também morreram no acidente o piloto, o co-piloto e dois assistentes dos artistas, Isaque Souto, primo de Dinho, e Sérgio Saturnino Porto, segurança do grupo. A morte trágica de seus cinco integrantes causou comoção em todo o Brasil, menos de dois anos depois da morte de Ayrton Senna em 1994. Dias após, houve um minuto de silêncio no Maracanã, antes do jogo entre Botafogo e Flamengo.

                                                                      Polêmica religiosa

Em 8 de abril de 2013, foi divulgado na internet um polêmico vídeo gravado durante culto do deputado federal e pastor Marco Feliciano, então presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, afirmando que o acidente que causou a morte dos integrantes da banda foi provocado por Deus. Para o pastor, a banda “tocou na santidade das crianças”, pois, por causa das suas músicas, “as crianças estavam falando palavrões”. Ainda segundo o religioso, o vocalista Dinho “era da igreja Assembleia de Deus em Guarulhos” e “se vendeu ao diabo pelo vil dinheiro”. Por fim, ao descrever o que teria sido a vingança de Deus contra a banda, Feliciano disse que “o avião estava no céu, região do ministro do juízo de Deus, lá na Serra da Cantareira, ao invés de virar para um lado, o manche tocou para o outro. O anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes nas bocas das nossas crianças”.

O deputado Marcos Feliciano declarou que o acidente era castigo de Deus
O deputado Marcos Feliciano declarou na época, que o acidente era castigo de Deus. Foto: Divulgação

O pai de Dinho, Hildebrando Alves Leite, processou Marcos Feliciano por danos morais, em Brasília. Segundo Hidelbrando, Dinho não pertencia a nenhuma religião, sendo seu pai católico e sua mãe evangélica. Dinho teria sido criado sob o catolicismo e, apesar de religioso, não era praticante.

                                Mamonas e os aviões

Os Mamonas Assassinas sempre tiveram uma certa relação com aviões.

No dia do acidente, pouco antes de embarcarem, um deles pressentiu a tragédia
No dia do acidente, pouco antes de embarcarem, um deles pressentiu a tragédia. Foto: Divulgação

 

  • Quando adolescente, Samuel costumava desenhar aviões.
  • No final dos anos 80, Sérgio, Bento e Samuel formaram a banda Ponte Aérea, que depois se tornaria Utopia.
  • Todos os integrantes do grupo moravam perto do Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos.
  • No disco homônimo do grupo Mamonas Assassinas, há um agradecimento a Santos Dumont “Por ter inventado o avião, se não a gente ainda estaria indo mixar o disco a pé” (o disco foi gravado e produzido nos Estados Unidos).
  • Um trecho da música 1406 cita um avião: “Você não sabe como parte um coração/Ver seu filhinho chorando querendo ter um avião”.
  • Existem registros em que Dinho cita o cantor norte-americano Ritchie Valens, conhecido pela música “La Bamba”, morto em um acidente aéreo em 3 de fevereiro de 1959 (no qual também morreram os músicos Buddy Holly e J. P. Richardson). Em um vídeo, Júlio e Dinho cantam a música “Donna”, de Valens. Durante uma entrevista ao Top 20 MTV, à época comandado pela apresentadora Cuca Lazzarotto, Dinho afirmou que os Mamonas Assassinas não lançariam um segundo disco: “Vamos fazer um show no interior e nós vamos de monomotor, você já ouviu falar em La Bamba?“.
  • Em algumas oportunidades o vocalista chegou a assumir o lugar do piloto durante as viagens do grupo. As brincadeiras com um possível acidente era constante, e diversas brincadeiras com a morte foram registradas.
  • Em uma entrevista dada em 1996, Sérgio disse: “O avião em que costumávamos viajar caiu em Brusque, Santa Catarina, em novembro. Morreram três pessoas. Falha humana. O cara que vendeu as camisetas da banda em Porto Seguro, Bahia, bateu com o carro depois do show e também embarcou”.
  • No dia 2 de março de 1996 (o próprio dia do acidente), Júlio disse a um amigo cabeleireiro que havia sonhando com um acidente de avião. O depoimento foi gravado e teve muita repercussão na época.

                      Formação: Membros

Dinho (Alecsander Alves) – vocais e violão Dinho era o principal vocalista da Banda

Dinho era o principal vocalista da Banda

Bento Hinoto (Alberto Hinoto) – guitarra e violão

 

Bento Hinoto tocava violão e guitarra na banda
Bento Hinoto tocava violão e guitarra na banda

Samuel Reoli (Samuel Reis de Oliveira) – baixo

Samuel Reoli , irmão de Júlio era o guitarrista
Samuel Reoli , irmão de Júlio era o guitarrista

Sérgio Reoli (Sérgio Reis de Oliveira) – bateria

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Júlio Rasec (Júlio César) – tecladosbacking vocals e vocais

Júlio era tecladista e também crooner do grupo
Júlio era tecladista e também crooner do grupo

Val Oliveira / Blog do Tribuna

Fonte: Texto: WIKPÉDIA  Fotos: Google Imagens

Pesquisa: Maria Cláudia Monteiro de Avellar

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