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Atafona: Um distrito que pode desaparecer no mar

O distrito de Atafona, localizado a 150 km  de distância de Itaperuna, cerca de 2 horas e meia de viajem, é passeio obrigatório para os que gostam de apreciar os efeitos da força da natureza.

Atafona é um distrito do município de São João da Barra, que fica ao norte do Rio de Janeiro, quase fronteira com o Espírito Santo. É uma vila de pescadores com um pequeno porto, fundada nos anos cinquenta e que, hoje, leva uma vida apocalíptica. O lugar está sendo destruído aos poucos pelo mar que, há cerca de 40 anos, vem avançando em direção de suas construções numa média de dez metros por ano, velocidade considerada incontrolável.
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Paisagem mutante em Atafona: à esquerda uma foto tomada em 1974 e à direita em 2010. A área urbana da foto da direita está compreendida no espaço vermelho da foto à esquerda. O contorno da linha azul pontilhada mostra a área em outrora habitada e hoje tomada pelo mar.
A Avenida Beira Mar – como era chamada a principal via da cidade – já foi engolida pelas águas e, junto com ela, durante essas últimas décadas, mais de 200 casa e lojas – cerca de 14 quarteirões – também sumiram. A cada ano chega a vez de famílias diferentes enfrentarem o mesmo problema: desapropriação do imóvel. E quem clama é a natureza. Não há cobrador mais implacável. Apesar disso tudo há muitos moradores que insistem em não abandonar seus imóveis. Talvez por não terem para onde ir.
Alguns moradores explicam o fato como o fim do mundo, mas pesquisadores apontam para as mudanças climáticas e alertam: o fenômeno só tende a aumentar.
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Atafona representa ainda o ponto em que o rio Paraíba do Sul, que passa pelos três Estados mais populosos e industriais do Brasil (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro) encontra o Oceano Atlântico. Desde os anos 70, as águas do mar vêm invadindo trechos de praia mais próximos à foz do rio, engolindo casas e ruas. A praia do Pontal apresenta-se hoje como uma porção residual do que já foi uma extensa faixa de terra que se avizinhava da região da foz.

Com vida pacata durante a maior parte do ano, Atafona vê sua população crescer muito durante os meses de verão, quando diversos empreendimentos voltados ao entretenimento entram em operação e shows são promovidos na área conhecida como Balneário.

Atafona apresenta uma rede de pousadas e restaurantes, estes últimos especializados em frutos do mar. As principais área de lazer da localidade estão junto à restinga da praia, já na saída para a praia de Chapéu do Sol, e em frente ao rio Paraíba do Sul, que forma ilhas naturais ainda pouco desenvolvidas.

Pesquisadores marítimos afirmam que o fenômeno em Atafona ocorre desde a década de 1950 e que nos últimos 30 anos, mais de 180 casas, em 14 quarteirões, teriam sido destruídas. Ainda que não tenha causado vítimas fatais, o fenômeno causou muitos danos materiais e prejuízos de ordem imobiliária.

Antes era uma localidade próspera, Atafona se tornou um simples balneário, agora frequentado por curiosos pelo avanço do mar e alguns surfistas descompromissados. Se antes as pessoas procuravam a praia por sua beleza e tranquilidade, hoje elas buscam para matar a curiosidade sobre os vestígios das dezenas de imóveis que foram tragadas pelo mar.

A imagem abaixo explica bem a situação atual:

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Em nossa próxima matéria à respeito de Atafona, publicaremos mais fotos e vídeos sobre o assunto. Aguardem.

Val Oliveira/Blog do Tribuna

 

 

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