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COLUNA DO LEITOR: “Coisas da minha terra”

O Blog do Tribuna apresenta uma nova edição da COLUNA DO LEITOR, esta sob o comando de Henri Gonçalves. com artigos, opiniões e muito mais...

Olá amigos e amigas sou o Henri, conterrâneo de vocês e tenho a pretensão de transmitir minhas impressões e opinião à respeito de política, arte e cultura, gastronomia, música, esporte, além de outros assuntos.

Raízes

Nasci em Porciúncula no ano de 1951, em uma casa na Rua Schwartz Vieira. Meu pai se chamava Gabriel Campelo Gonçalves e minha mãe, Maria José de Abreu Gonçalves.

Meu pai era bancário e trabalhou numa agência do Banco Ribeiro Junqueira, onde é hoje, se não estou enganado, a agência da Caixa Econômica. Fez concurso para o Banco do Brasil, passou e foi designado, em 1953, para trabalhar na cidade de Bom Jesus de Itabapoana. Posteriormente, em 1954, foi transferido para Itaperuna, onde permanecemos, até o ano de 1959, quando, então, a nossa família veio morar no Rio de Janeiro.

Henri Gonçalves
Henri Gonçalves

Lembro-me muito bem, quando ainda morávamos em Itaperuna, das nossas idas para Porciúncula. Íamos de carro, que quase sempre fervia; éramos obrigados a parar e esperar a temperatura voltar ao normal, para seguir viagem. A estrada não era pavimentada, era de terra batida, cheia de buracos e a viagem levava uma eternidade.

Uma boa lembrança, que guardo até hoje, era na nossa chegada em Porciúncula. O forte e delicioso cheiro de café torrado invadia o carro. A vista do Cristo, em frente à Igreja, de braços abertos, para nos receber, enchia o meu coração de alegria.

big hotel

Íamos direto para a casa do meu saudoso tio, o professor Geraldo Gonçalves, que na época ainda não havia se casado com a tia Mandina. Aguardávamos ansiosos a chegada dos meus primos, filhos dos meus tios Felismino e Clotildde. Era uma festa quando nos encontrávamos com os nossos primos. Era bagunça certa.

Muitas vezes, também, ficávamos hospedados na fazenda do meu padrinho Alcebíades Vieira (Bibi) e farra era grande. Banhos de piscina, passeios a cavalo, pescaria no açude, brincadeiras de jogar bola de gude com o Claudio e o Sibidinho. Tempo bom!

Quando mudamos para o Rio de Janeiro a distancia ficou maior e as minhas idas para Porciúncula, juntamente com o meu irmão Gabriel e o meu primo Rodney, mais conhecido pelo apelido de Di, ficaram mais espaçadas e ocorriam sempre nos períodos das férias escolares.

No final da década de 60 o meu tio Geraldo arrendou um hotel, que ficava em frente à Estação de Trem. Neste período já éramos todos adolescentes e foi um período onde forjamos e consolidamos amizades sinceras, que guardo até hoje em minhas lembranças e no coração.

O Hotel foi demolido e deu lugar a um supermercado. O sobrado de dois andares, lindo por sinal, onde funcionava o antigo Banco Ribeiro Junqueira, também foi demolido e deu lugar a uma Agência da Caixa Econômica. Todo o espaço em frente ao Hotel foi reurbanizado, dando lugar aos Quiosques e a antiga Rodoviária virou banheiro, atualmente interditado.

big bar1

Na calçada que existia entre o Hotel e a Estação de Trens havia vários bancos onde sentávamos, observando o caminhar das meninas que passavam, para lá e para cá, no que poderia ser considerado, nos dias de hoje, como uma “paquera”. De vez em quando, uma um pouco mais atirada, entregava um bilhetinho propondo uma ida ao Cinema ou uma dança no baile que haveria, no dia seguinte, no CREP ou no Clube Caça e Pesca.
Naquela época a cidade era limpa e bem cuidada e a Praça do Coreto era o meu local preferido. Toda arborizada e com as construções antigas a sua volta mostrava a beleza arquitetônica de épocas passadas. A Praça onde ficava a antiga Rodoviária era outro dos locais que eu mais gostava. A Praça da Igreja tinha um jardim lindo, com o Cristo, majestoso, de braços abertos, acolhendo os visitantes.

Estou falando de uma época em que tudo era diversão.

Tinha cinema, tinha a quadra de esporte do CREP, onde jogávamos vôlei. Tinha a piscina do Clube Caça e Pesca que no verão ou no inverno, sempre era uma boa opção de lazer. Toda semana tinha bailes em algum lugar. Os bailes do CREP e do Caça e Pesca, em Porciúncula e os bailes em Tombos e Natividade eram famosos. Dentre outras, a musica que mais tocava era Sentado a Beira do Caminho, de Roberto e Erasmo Carlos. Tinha jogos de futebol no estádio municipal e Porciúncula tinha um bom time.

Big time

Nossa turma era grande, bastante unida, e topava tudo.

Certa vez resolvemos descer o Rio Carangola, enfrentado as corredeiras e as pedras submersas onde geralmente batíamos com as canelas, numa bóia de câmara de ar de pneu de caminhão. Éramos uns oito ou nove moleques, todos agarrados na boia. Imaginem o sufoco que foi.

Em outra ocasião, fomos de trem para um baile em Tombos e perdemos o horário da volta. Tivemos que regressar a pé de Tombos para Porciúncula. Foi uma caminhada entanto!

Comemos, literalmente, muita poeira na carroceria das caminhonetes S20 quando íamos a algum evento na roça, por que o motorista da nossa caminhonete colava na traseira do carro que ia a frente. A poeira entrava pelo nariz e nos olhos, ficava presa nas sobrancelhas e no cabelo, de tal jeito que quando tomávamos banho o chão do banheiro virava um lamaçal.

Quem nunca “roubou” jambo, manga, jabuticaba e até mesmo algumas galinhas?

Agradeço a DEUS, todos os dias, pelos AMIGOS que tive e que ainda tenho em Porciúncula. Um beijo no coração de todos vocês!

Valério Cardoso, Totônho Cardoso, Danilo Cardoso, Ronaldo Carvalho, José Manoel Cisneiro, Francelino França, Mangerê, Maurício Lannes, Marcio Breijao, Bibinho Breijão, Gilson Timboca.

Gerinho Lannes, Julinho Orelha, João Gambá, João Brás, Marcio Braseiro, Badel, Pedro Paulo Breijão… saudades!

Um grande abraço à todos e até a próxima.

                                                                                                     Henri Gonçalves.

Fotos: Acervo Luiz Cláudio Bigodinho Rodrigues.

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