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KOLUNA DO KALANGO: O CRIADOR QUE NÃO CRIOU… E A CULPA QUE FICOU

 

Já que o que mais se fala nesses últimos dias é sobre política e eleição, eu vou contar aqui uma historinha folclórica que pode ser ou não de Porciúncula e as pessoas serão ou não fictícias… menos eu!

Andre Oliveira
Andre Oliveira

Era uma vez uma cidade do interior… o ano era 1987 e lá nessa cidade, existia a vontade de um grupo fundar um partido político que começava a sobressair como uma nova opção e novas propostas… era o diferente e por acaso, eu tinha conhecimento com um deputado federal que havia conhecido por volta de 1982 e para ter uma ideia de como faria para que formassem o partido, entrei em contato com ele. De imediato me passou todas as coordenadas e procurei um a um dos interessados.

Tudo andou rápido demais e esse amigo deputado enviou um outro deputado, só que estadual, à minha procura na cidade e marcamos a reunião em minha casa para a noite daquele mesmo ensolarado dia… rodamos pela cidade no Opala oficial da Alerj e as pessoas nem levavam muita fé que era mesmo um deputado, devido a simplicidade de um carteiro que era sua real profissão. À noite na varanda do quintal de minha casa, foi formada a reunião onde todos falaram, trocaram ideias… falavam da esquerda e da luta armada… juro que em momentos me sentia como o “camarada” que organizava um “aparelho” e dali sairia mais um grupo para a luta armada… juro que tive vontade de rir em algum momento devido a reação de alguns.

Nos “finalmentes” me foram entregues 5 (acho que é isso) fichas de filiação abonadas para a criação da Comissão Provisória e de imediato passei aos presentes e disse que não iria me filiar e estava somente colaborando… em momento algum pensei em me filiar… foi aí que começou o mal estar… um partido rachado antes da primeira hora de sua formação, que nem  oficializada estava… o nome “presidente” tem sua força e tem gente que gosta e ainda coloca um crachá se fosse o caso. Um dos integrantes me perguntou para quem eu daria a presidência (não falei que eu parecia o chefe do “aparelho”?)… eu disse para que escolhessem e ainda insistiam comigo. Terminamos a reunião ali sem escolher, pois as panquecas estavam ainda quentes e se esfriasse seria ruim. O mais exaltado nem quis ficar para comer. Como ainda tinham 8 pessoas além de mim, do deputado estadual e de sua filha pequena, assim seria possível deixar escolhida a comissão provisória para que dessem entrada na Justiça Eleitoral.

Escolheram o presidente, secretário geral, etc etc etc… enfim… os membros. Eu segui de fora… todos se abraçaram, comemoraram, parabenizaram o presidente e tal. O deputado voltou para o Rio e marcaram uma outra reunião com churrasco (eu não fui) na casa do presidente… dizem que o cidadão que não participou da formação da comissão ficou ensandecido por ter ficado de fora, mas seguiu em frente com a turma.

Passados uns dois meses mais ou menos do episódio,  um amigo advogado, ligado a um partido ecológico, me dizia que o cidadão que ficou fora da reunião estava fulo da vida comigo pelo fato de que o preteri da direção da comissão provisória e eu perguntava sempre que culpa eu podia ter, se nem filiado eu era… e em um dia daqueles, eu entrei em um bar da cidade para comer uma linguiça Seara(era a melhor) com uma cachacinha… ao dar o segundo passo no tal bar, o suposto preterido me viu, saiu de seu banco no balcão e de dedo em riste apontado na minha cara disse bem alto: “O SENHOR DESVENCILHOU O PARTIDO”… eu disse: “QUEM SOU EU AMIGO, AFINAL NEM ME FILIEI”… ao que ele espumando de raiva disse: “O SENHOR FEZ O FAVOR DE TRAIR MINHA IDEOLOGIA PELAS COSTAS ENTREGANDO O OURO NA MÃO DO BANDIDO!” nisso um amigo, sentado assistindo o Jornal Nacional, debochadamente pergunta pra mim: “AQUI… ISSO TUDO ACONTECEU AQUI NA CIDADE? COM ESSA IMPORTÂNCIA TODA VOCÊ DEVERIA CANDIDATAR A GOVERNADOR E ELE(o nervoso) A PRESIDENTE!” Foi o bastante para o cidadão sair como um louco em sua bicicleta, que para seu azar, ainda saiu a corrente antes de chegar a  esquina… da porta do bar se ouvia ele resmungando. Depois disso não me recordo se ele se filiou ao partido ou não, mas chegou a ser candidato à vereador pela cidade, sem lograr êxito. Outra coisa que contam, é que, quando o presidente foi ratear a compra do livro de ata, as xerox pagas, despesa de correio, etc, teve membro da comissão quase abandonando o barco. Já diz o velho ditado “pau que nasce torto não cresce direito” e por isso, acho que apesar da grandeza nacional, esse partido nunca despontou nessa cidade, apesar de ter conseguido eleger alguns edis. Pode não ser Sucupira, mas que parece…  ahhhhhh parece!

*AS PESSOAS E LOCAIS CONTIDOS NESSA CRÔNICA SÃO FICTÍCIOS E TAMBÉM QUALQUER SEMELHANÇA COM A VIDA REAL TERÁ SIDO MERA COINCIDÊNCIA ( OU NÃO…)

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