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Navio da II Guerra encontrado em Guarapari vai virar filme

Há 6 anos, mergulhadores tentavam desagarrar uma rede e se depararam com os restos do naufrágio. Navio afundado na II Guerra em Guarapari vai virar filme

Acostumados a mergulhar, pescar e a enfrentar todo o tipo de histórias do mar, dois irmãos de Guarapari não esperavam fazer parte da história da Marinha brasileira. Ao mergulhar a 25 milhas do Cabo São Tomé, na divisa entre o Espírito Santo e Rio de Janeiro, os irmãos José Luiz Pompermayer Meriguete, 47 anos, e Everaldo Pompermayer Meriguete, 43, acabaram realizando uma grande descoberta: um navio de guerra no fundo do mar.

O fato aconteceu há seis anos, na tentativa de ajudar um amigo pescador que teve as redes agarradas durante a pesca, uma nova história para contar.  “O mergulho seria por causa da rede de um pescador que agarrou na área, e a gente foi tentar salvar (a rede). O local era de difícil visibilidade porque se trata de uma área de muita lama e a pesca no local é de arrasto de camarão, então não dava pra ver muita coisa”, lembra Everaldo.

Ao mergulhar a 25 milhas do Cabo São Tomé, na divisa entre o Espírito Santo e Rio de Janeiro, os irmãos acabaram descobrindo um navio de guerra no fundo do mar. Foto: Afonso Jório

Segunda Guerra. Até os primeiros relatos parecia um navio comum, já que barcos naufragados fazem parte da rotina dos pescadores principalmente naquela região. Mas aquele não era um navio como outro qualquer. Se trata do navio da Marinha Brasileira afundado na Segunda Guerra Mundial que vai ganhar vida nos cinemas, graças a descoberta dos irmãos pescadores de Guarapari.

Pescadores e mergulhadores profissionais há 25 anos, os dois só vão para o mar juntos. “Nós passamos a sonda e identificamos que se tratava de uma ferragem. Mergulhamos para ver se conseguia soltar a rede do pescador e logo nos deparamos com o navio”, conta José Luiz, o Luizinho.

Vital de Oliveira. Depois de entender que se tratava de um navio de guerra por causa dos canhões ainda intactos no fundo do mar, os pescadores insistiram em fazer fotos para registro.  “Aquilo ficou na minha cabeça e no verão do ano seguinte nós voltamos lá para mergulhar de novo e pedi que um amigo nosso olhasse na internet sobre os naufrágios naquela região. As características do navio que encontramos no fundo mar batia com as informações do Vital de Oliveira, único navio da Marinha Brasileira afundado na Segunda Guerra Mundial”, conta Everaldo.

Luizinho, Joelma e Everaldo se uniram para registrar essa descoberta através de um documentário. Foto: Roberta Bourguignon.

Filme. Entusiasmada com a descoberta, a irmã dos pescadores, Joelma Meriguete, 45, chamou um mergulhador experiente de Guarapari, Afonso Jório, para fazer as fotos do navio e dar prosseguimento as pesquisas.

O mergulhador pesquisou os naufrágios na região e encontrou o registro do Vital de Oliveira com uma interrogação na sua exata localização. Junto com os dois irmãos, Afonso foi ao local do naufrágio e, pelas características do casco, pela quantidade de munição ao redor dos escombros e o canhão de 47 mm no convés, foi o suficiente para comprovar que se trata do Vital de Oliveira, a única nave da Marinha do Brasil vítima da Segunda Guerra e o último dos 34 navios com bandeira brasileira que foram afundados por submarinos alemães durante o conflito.

“Vi na descoberta uma história muito importante e procuramos o Afonso, amigo deles, para fazer umas fotos no fundo do mar. Com as fotos em mãos, fomos à São Paulo apresentar a história à algumas empresas de filmes que demostraram interesse”, conta.

Gravações. As gravações começaram há três anos e 80% do filme está pronto. “Neste período as gravações estão acontecendo na Irlanda, onde o submarino alemão U-816 que torpedeou o navio Vital de Oliveira está. O diretor está em Portugal fazendo fotos da antiguidades para finalizar o filme ainda este ano”, declara Joelma.

Vital de Oliveira, desaparecido há quase 70 anos

O navio-auxiliar da Marinha do Brasil, Vital de Oliveira, estava desaparecido há quase 70 anos. O Vital foi torpedeado e afundado pelo submarino alemão U-816 na noite de 19 de julho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, “ao largo do Cabo São Tomé”, como ficou registrado nos documentos oficiais.

O Vital de Oliveira, foi o último navio da Marinha Brasileira afundado na Segunda Guerra Mundial. Foto: Divulgação

 

Durante quase sete décadas, o navio militar ficou escondido no fundo do litoral norte do Rio de Janeiro, até ser encontrado acidentalmente pelos irmãos pescadores. “O navio era da Marinha Brasileira e foi adaptado para a guerra com os dois canhões que foram instalados. No mar, o navio era escoltado por um caça. Nos relatos feitos pelo sobrevivente, na noite que o navio afundou, o navio caça saiu muito na frente e não consegui proteger o Vital de Oliveira. Foi quando o submarino U-861 torpedeou e afundou ele”, conta Luizinho.

Confira uma pequena parte do documentário.

 

Era o único sem registro de localização. Um navio histórico, porém trágico, pois cerca de 100 pessoas morreram no naufrágio. O navio partiu do porto de Vitória, com destino ao Rio de Janeiro, levando a bordo, 250 tripulantes e um carregamento de madeira. Como se tratava de um navio-auxiliar, era comum o Vital transportar alguma carga. E foi graças a essa carga que mais da metade dos passageiros conseguiu se salvar.

“O único sobrevivente ainda vivo conta que faltavam cinco minutos para a meia-noite, quando um dos dois torpedos disparados pelo submarino alemão U-861 explodiu no costado de boreste do Vital, bem perto da popa, contorcendo o navio inteiro. O navio começou a afundar imediatamente. Tão rápido que não deu tempo nem de quem estava na casa de máquinas subir para tentar escapar da enxurrada de água que entrava”, conta Everaldo.

Segundo os pescadores, o sobrevivente Hilton Moreno, 90 anos, na época tinha 17, e contou que só não morreu porque conseguiu se segurar nas madeiras. “Ele relatou que só escapou vivo das águas revoltas do Cabo São Tomé graças às pranchas de madeira que o Vital de Oliveira transportava, já que quando o navio afundou, elas boiaram e serviram de apoio para os náufragos”, concluiu. Confira mais um teaser do documentário.

 

A previsão é que as gravações e o filme seja finalizado ainda este ano. Segundo Joelma, o documentário está sendo procurado por muitos canais de TV e também por produtoras com interesse em comercializar o filme. “Estamos ansiosos com toda a movimentação e esperamos que o filme seja lançado no ano que vem”, conclui ela.

 

De: Portal 27 / Por Roberta Bourguignon

 

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