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Piúma, de ônibus, em passeio de apenas 1 dia. Vale à pena?

Com a primeira excursão do ano de 2018 para Piúma, no sistema bate e volta, republicamos uma matéria sobre a prazerosa e surpreendente “aventura” de encarar 4 horas e meia de ônibus para passar apenas 1 dia na praia de Piúma

A RPA Turismo, de Porciúncula, já vem fazendo esse tipo de passeio ao balneário capixaba de Piúma há alguns anos, sempre com lotação completa em seus ônibus.

Visto com certa desconfiança por alguns, o breve passeio tem seus detratores, que entre outros argumentos, alegam o desgaste de 9 horas de viajem, ida e volta, para apenas 13 horas de lazer.

Há também os que nunca foram, mas argumentam sobre o “clima de bagunça” que deve reinar em viagens deste tipo.

Outro inconveniente, também citado por algumas pessoas, é o fato de não haver um local determinado para descansar ou tomar um bom banho antes de retornar.

Entrevistando algumas pessoas que já participaram do passeio, ouvimos opiniões completamente divergentes daqueles que nunca foram, mas tem opinião formada a respeito, como da enfermeira Cristiane Barcelos, de Purilândia, segundo distrito de Porciúncula.

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“É a primeira vez que venho a este passeio, mas pretendo voltar, toda vez que tiver outro!”, diz ela.

Às 9 horas de viajem, ida e volta, pareceram não a incomodar: “Saímos de madrugada, o ônibus  tem banheiro e um certo conforto. Dormimos durante as horas da viajem e acordamos na beira da praia. Achei ótimo!”.

Sobre o passeio ser de apenas um dia, a enfermeira argumenta: “Nem todo mundo está de férias ou aguenta muitos dias de sol na pele. Um dia por vez na praia já está bom demais. O Rony deveria fazer esse passeio de 15 em 15 dias no verão!”, sugere entusiasmada.

Sobre o inconveniente de não haver um local determinado para descansar, Cristiane dá um sorriso maroto e responde: “Quem vem para Piúma neste verão, principalmente apenas por um dia meu amigo, quer qualquer coisa… menos descansar!”.

Outro que entrevistamos foi o Sr.Wilson, morador de Porciúncula.

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“Sou aposentado e essa foi a terceira vez que vou neste passeio. Pra mim, que gosto de pescar, é ótimo. Vou direto para as pedras, quando chego. Na hora do almoço eu venho, almoço e vou pescar novamente. Antes de vir embora, ainda dá tempo de passar umas horas tomando banho de mar.” Completa.

Ainda intrigado com as opiniões tão divergentes, fomos conversar com o proprietário da RPA Turismo, Rone Peterson Pereira de Amotim, que nos falou sobre o passeio: “Nossa ideia inicialmente, era atender a um público que, por não possuir automóvel ou poucos recursos, dificilmente, ou até em alguns casos, nunca tinham ido à praia.

Começamos estas viagens em 2000. Com o passar do tempo, o público foi mudando. Hoje, muitos dos que viajam com a gente, tem automóvel e uma situação até confortável, mas não querem se desgastar em uma longa viagem, chegar cansado na praia e não poder beber, porque tem que dirigir”.

Sobre a mudança no público que o acompanha nos passeios à Piúma, o empresário acrescenta: “Nossos clientes inicialmente eram mais o público jovem, mas hoje isto mudou. Temos famílias, crianças, gente de idade e de várias classes sociais. Nossos passeios hoje são feitos em ônibus mais modernos e com ar condicionado, dando mais conforto aos nossos clientes.” Assinala.

Sobre o clima da viagem, Rony respondeu com um desafio: “Venha com a gente para você ver como é nosso passeio!”.

Ansioso para estrear o novo equipamento de pesca antes de começar as férias e instigado pelo desafio, paguei os R$ 60 reais pela viagem, preparei o equipamento e esperei o domingo chegar.

Primeiro desafio…  em casa:

– Piúma no domingo, mas nós não vamos viajar na quinzena que vem? – O quê… de ônibus?  – Um dia só?  Não vou mesmo! Foram as palavras que ouvi de Dona Kude, quando a convidei para participar da “aventura” comigo.

Recuperei-me rapidamente da deserção da minha dona e fui preparar a mala. O que levar numa excursão à praia de um só dia? Uma toalha de banho, escova de dente… e a tralha de pesca!

Meia noite e meia encostei o carro em frente à prefeitura e falei pra mim mesmo “Ainda dá tempo de desistir, afinal, é melhor “perder” os 60 Reais da passagem, do que me arrepender da viagem já no meio do caminho”.

Confesso que quase desisti, mas, olhando para a Rodoviária, avistei umas pessoas conhecidas, era Cristiane Barcelos, a enfermeira que havia me dado informações sobre o passeio e “Totoca”, ambas de Purilândia.

Aquilo me animou, pois até aquele momento, não tinha a menor ideia de quem poderiam ser meus companheiros de viajem.

Uma em ponto da manhã, chega à rodoviária, um grande ônibus cinza de uma locadora. Pilotando “o bicho”, o nosso Rone, que ao desembarcar, nos explicou que, em excursões ou passeios com um percurso maior do que costuma fazer em viagens na região, aluga sempre um veículo com mais conforto, equipado com ar condicionado e televisão.

Aquilo me animou ainda mais, principalmente, ao entrar no ônibus e ver dezenas de rostos conhecidos. Vi famílias com crianças, além de jovens e idosos com sorriso no rosto, esperando a hora de começar a viagem.

Para poder melhor observar o que aconteceria no interior do veículo, me alojei em uma das últimas poltronas. Para minha surpresa, ao sairmos da rodoviária, Rony apagou as luzes do ônibus e se fez um silêncio sepulcral em seu interior.

Intrigado, perguntei ao meu colega ao lado se aquele silêncio era normal, no que ele respondeu: -Você acha que alguém aqui vai gastar energia e perder noite conversando? A galera vai dormindo até lá pra chegar “inteiraço” na praia.

Agradeci a informação do colega de viagem e vi que dois “mitos” já haviam caído por terra: A qualidade do ônibus e o comportamento dos passageiros durante a viagem.

Em Bom Jesus do Norte, Rony fez uma pequena parada em um restaurante à beira da Rodovia.

Fui um dos poucos a descer do ônibus e pude notar que, muitos de meus companheiros de viagem dormiam confortavelmente com travesseiros e cobertos com lençóis e até colchas, já que o ar condicionado a 20 graus deu “um friozinho” para quem não estava acostumado com a viagem.

Perguntei ao Rony se era normal este comportamento em viagem de apenas 1 dia, no que ele me explicou: “O pessoal que traz travesseiro, lençol e até cobertor, é o pessoal que mais está habituado a fazer este passeio”. Eles sabem que essas coisas vão ficar no ônibus quando eles chegarem lá e eles não terão que carregar esses volumes, logo, por que não ter mais este conforto durante a viagem? Falei nada… mais um ponto pra eles!

Após 4 horas e meia de viagem, chegamos a Piúma. Rony nos comunicou que a hora da partida, comumente às 19 horas, seria prorrogada excepcionalmente para às 20horas, visto que haveria a apresentação de um Trio Elétrico na orla e muitos gostariam de participar.

A partir daquele momento o grupo se dispersou na orla, uns já a caminho do mar, outros em direção a uma padaria próxima para um café.

Confesso que, naquela hora, talvez por força do hábito, minha vontade foi me dirigir ao Aruanã, hotel onde geralmente me hospedo nas férias, tomar um bom banho, um lauto café da manhã e ir pescar.

Caí na real imediatamente: O que eu iria fazer em um hotel, tendo apenas 14 horas para desfrutar do passeio? Acompanhado do Sr. Luiz, que também só havia feito a viagem com o intuito de pescar, pegamos o primeiro taxi que apareceu e fomos ao mercado de peixes, tomamos um bom café em uma padaria local, compramos o nosso camarão para isca e fomos para a Ilha do Gambá. No final da tarde, após um banho de mar, a insubstituível cerveja no Quiosque da Loira, ao som de música ao vivo e um peixinho frito pra acompanhar.

Antes de embarcarmos de volta, questionei alguns colegas de viagem de o porquê não tê-los encontrado na praia para uma fotografia para o Blog do Tribuna, no que um deles me respondeu:

– Com o ônibus que vai para Iriri custando R$ 1,50, ficar em Piúma pra que? Fui obrigado a anotar mais um ponto pra galera.

Na hora combinada, pontualmente às 20 horas, deixamos Piúma com destino à Porciúncula, aonde chegamos por volta de quase uma da manhã.

No próximo dia 25 de janeiro vai ter mais um outro igual a esse. Por que você não vai e tira suas próprias conclusões?

Os telefones para reservar a sua vaga são:(22) 99894-4984 (RONE) OU (22) 99917-6659 (CYRENE)

 

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