Home » Coluna do Rabugento » Quanto vale a vida?

Quanto vale a vida?

Quanto vale a vida?

Quanto vale a vida?

Um avião caiu. Não é uma coisa que acontece todo dia, e por isso já poderíamos esperar que causasse no mínimo alguma comoção.

Ainda estávamos de ressaca da copa do mundo, que para muitos foi o evento mais importante que aconteceu no mundo este ano, quiçá em todos os tempos. E mais, o tal avião caiu lá do outro lado do planeta, entre a Rússia e a Ucrânia. A maioria de nós, inclusive eu, nem sabe onde fica isso. Há muito tempo não brinco de War, e não lembro se no tabuleiro do War tem a Ucrânia.

Mas o fato é que o avião caiu lá, e nele haviam 298 pessoas, que morreram instantaneamente. Pessoas caíram do céu como chuva. Cada uma com um repertório único, provavelmente alguns familiares e amigos os esperavam no aeroporto. Quem viaja sempre deixa e leva saudades.

Em gaza, que eu também não sei direito onde fica, em alguns dias de guerra (sim, ainda existem guerras) morreram mais de 300 também. Pouca gente se importa. O máximo que fazemos é declarar que são um bando de loucos ou fanáticos, e isso basta para uma auto-isenção de qualquer tipo de remorso.

Voltando ao avião, li uma manchete que me fez passar o dia triste, acho que até estou passando por um período de luto velado: “A cura da AIDS podia estar naquele avião”. Putz!

Pouco mais de uma centena de cientistas, empenhados em dar sobrevida aos acometidos por essa doença tão cruel, por minar a dignidade mais rapidamente do que mina a saúde, estavam naquele voo. Gente que fez a opção na vida por defender os mais fracos, geralmente excluídos da sociedade como se faziam com os leprosos. Gente discriminada.

A cada notícia nova, fica claro que esse mundo não evolui conforme o planejado. Eu não fui treinado em nenhum lugar pra ser indiferente a tanto sofrimento assim. Quando criança, eu tinha certeza que éramos todos bons.

Nos incomodamos muito pouco com a morte, exceto quando se trata de algum parente até 2º grau, ou um amigo próximo. Mas pra mim, essas mortes fora de hora e provocadas são tristes demais. Em algum lugar desse Brasil, explicava-se dizendo que era “morte matada”, quando o natural seria a “morte morrida”.

Onde eu quero chegar dizendo tudo isso? Sei lá, só acho que os dias têm ficado cinzentos, tristes, e muito pouca gente está percebendo.

As próximas manchetes serão só sobre o futuro treinador do time de futebol da CBF. Aquela que é a “Pátria de chuteiras”. Ou o “Brasil que deu certo”. Aí sim nos sentiremos obrigados a aplaudir ou se indignar, e todos esses outros sentimentos fúteis que fazem o mundo girar.

Veja também

telê santana felipão

De Telê Santana à Felipão – Coluna do Rabugento

 De Telê Santana à Felipão Meus 14 assíduos leitores precisam saber a verdade: essa copa …