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Risco de transmissão de meningite aumenta no inverno

A meningite é uma doença que atinge principalmente crianças. Se não for diagnosticada e tratada rapidamente, pode matar ou deixar sequelas neurológicas

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Marco Avellar: Coluna VIDA & SAÚDE

As baixas temperaturas do inverno costumam ser um convite a aglomerações. Com frio, a tendência é de que as pessoas busquem refúgio em ambientes fechados e lotados. O problema é que alguns intrusos podem acabar dividindo o espaço. É o caso de micro-organismos nocivos, responsáveis por doenças transmitidas pelo contato próximo com indivíduos infectados. Entre elas, estão as meningites, que ocorrem quando agentes patógenos invadem o sistema nervoso central, provocando uma grave inflamação.

Vírus, fungos e até mesmo vermes podem causar a inflamação das meninges — membranas protetoras do cérebro. Contudo, a maior gravidade está nos casos de transmissão por bactérias, principalmente as meningococos, facilmente disseminadas pelas vias respiratórias. Essas infecções precisam ser identificadas e tratadas rapidamente, pois podem matar ou deixar sequelas, como surdez e complicações neurológicas.

No ano de 2013, por exemplo, foram registradas 1.170 mortes no país por quadros de meningite causados por bactéria, o que representa quase 19% do total de pessoas acometidas pela meningite bacteriana naquele período, que somaram 6.331 casos, segundo dados do Ministério da Saúde.

Já a meningite de origem viral, embora mais frequente, apresenta uma mortalidade menos expressiva: foram 8.513 casos em 2013, com 109 óbitos, ou 1,3% daquele grupo, também de acordo com os dados do Ministério da Saúde. Os registros do governo mostram também quais foram, em 2014, os principais agentes envolvidos nos quadros de meningite bacteriana. Dos 5.848 casos dessa enfermidade detectados naquele ano, 44% foram provocados por apenas duas bactérias: a Neisseria meningitidis, conhecida como meningococo (28% dos casos), e a Streptococcus pneumoniae, ou pneumoco, com 16%².

 

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Paraná com crianças internadas com meningite bacteriana aguda no Hospital de Clínicas da instituição, constatou que 40% dos pacientes sofreram sequelas neurológicas. As mais frequentes foram alteração comportamental (22,9%), atraso no desenvolvimento psicomotor (17,1%), retardo mental (14,3%) e epilepsia (14,3%). Problemas na fala e na audição atingiram, respectivamente, 11,4% e 8,6% da amostra de 35 pacientes, com idades entre 1 e 14 anos.

 

Vulneráveis
As crianças são as mais atingidas por meningites porque seu sistema imunológico ainda está em formação. No caso de bebês, o sistema respiratório não está desenvolvido completamente, facilitando a entrada de vírus, fungos e bactérias. Alguns fatores de risco de recém-nascidos identificados por um estudo do Hospital das Clínicas da USP são baixo peso ao nascer, prematuridade, infecção prévia, tratamento anterior com antibióticos e falta de aleitamento materno.

 

Da mesma forma, idosos, cujas defesas são mais deficientes, e pacientes imunossuprimidos (com HIV/Aids, neoplasias e sob tratamento quimioterápico) correm mais risco que jovens e adultos saudáveis.

Sintomas

Os sintomas da meningite bacteriana são: febre alta, mal-estar, vômitos, dor forte de cabeça e no pescoço, dificuldade para encostar o queixo no peito e, às vezes, manchas vermelhas espalhadas pelo corpo. Nos bebês, é importante atenção para a moleira, que fica elevada. A meningite bacteriana tem cura, se o paciente for levado ao hospital para o diagnóstico precoce e tratamento adequado.

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Diante dos sintomas que caracterizam o mal, o paciente deve procurar imediatamente um pronto-socorro. Por meio da análise clínica e da punção lombar — realizada apenas por médicos —, é possível detectar a doença e o tipo de micro-organismo responsável pela infecção.

Outros problemas, como AVC e aneurisma também provocam a dor de cabeça intensa que, diferentemente da enxaqueca, é percebida como uma forte pressão dentro do crânio, como se ele fosse explodir. Por isso, a investigação clínica precisa levar em conta sinais associados. Um sintoma bastante comum é o vômito súbito, que pode ou não vir em jatos.

Vacina
Evitar ambientes muito cheios e estar atento à higiene pessoal, como lavar as mãos com frequência, são medidas que ajudam a prevenir infecções em geral, mas apenas a vacina é capaz de oferecer a proteção de quase 100%. No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde inclui três vacinas no calendário infantil, sendo que a pneumocócica 10, que protege contra a bactéria pneumococo, e a meningocócica conjugada, que imuniza contra os meningocócicos C, só entraram no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2010.

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Marco Avellar é Coordenador do Centro Municipal de Infectologia de Porciúncula

 

 

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