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Tenham um cachorro – e afastem-se dos chatos

Conca

Um tempo atrás (uns 4 anos), assim que adotei o Conca, fui no supermercado comprar umas coisas pra ele: ração, vasilhas para água e comida, uns brinquedos e um cobertor.

Chegando no caixa, ao passar todos os itens, a atendente balançou a cabeça em reprovação e comentou olhando nos meus olhos: “tanta criança passando frio no mundo, e tem gente que compra cobertor pra cachorro…”.

Putz! Naturalmente eu deveria ter chamado o supervisor dela, relatado o caso, talvez a moça fosse demitida por justa causa pelo constrangimento. Eu me senti realmente muito constrangido. Mas não fiz nada. Juro que senti pena dela pela pobreza de espírito, e saí em silêncio me sentindo um monge budista por, rabugento que sou, não ter falado as coisas que ela merecia ouvir.

Passaram-se 4 anos e, dias atrás, estava com o Conca na recepção da clínica veterinária, entrou um senhor para pedir informação. Expliquei o que ele queria saber, e ao invés de agradecer, ele fez o seguinte comentário: “Tanta criança precisando ser adotada no mundo, e você cuidando de cachorro.”

Dessa vez resolvi não silenciar. Seguiu-se o diálogo:

– O senhor não tem cachorro? – perguntei;

– Claro que não. Com tanta criança passando fome…

– Tá certo. E quantas crianças o senhor adotou?

– Nenhuma.

– Pois é. Tem muito cachorro e criança precisando ser adotados no mundo. Eu adotei pelo menos um cachorro. Você num adotou ninguém?

Ele foi embora sem responder.

Daí eu penso: de onde que tiraram que a culpa da fome e abandono de todo o planeta é do MEU cachorro? Ou, mesmo, de qualquer outro cachorro?

Pois pessoas gastam dinheiro o tempo todo com coisas inúteis: é o carro novo, o celular novo, a roupa nova, todo o tipo de futilidades que pessoas fúteis possam querer (eu mesmo tenho um monte delas). E para alguns, a única verba do mundo que deveria ser direcionada para resolver o problema do abandono infantil do universo é a utilizada para alimentar cachorros. Cada vez saio menos de casa, a cada dia diminuo o número de pessoas com quem quero conviver. Uma pessoa chata raramente passa despercebida, e acaba sendo mais marcante do que uma pessoa legal.

Já avisei a todos os meus conhecidos, pessoalmente ou em redes sociais: se você maltrata animais, não vá a minha casa, pois não é bem vindo.

Na prática, dessas pessoas que existem aos montes que fazem esses comentários malditos, NENHUMA delas está preocupada em resolver o problema das crianças abandonadas, ou qualquer outro problema. Só querem causar incômodo a quem é feliz por ter um melhor amigo não-convencional, digamos.

Por isso aconselho: afastam-se dessa gente.

Quanto a esse bichinho aí da foto, é meu companheiro leal durante todo esse tempo, e me ajuda a ser feliz com uma vida bem simples.

Exige muito pouco de mim: 1 hora de caminhada toda manhã, alguns afagos, uma vasilha cheia de água fresca, comida na hora certa. E que eu permita que ele esteja por perto o máximo de tempo possível.

Curioso como ele só precisa saber que estou por perto, para se sentir em paz.

Melhor amigo não há.

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