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Torcedor nega ter chamado goleiro de “macaco” e o denuncia por calúnia

Acusado de injúria racial procura Polícia Civil e formaliza denúncia contra goleiro do Operário-MT. Inquérito vai apurar se houve injúria ou denunciação caluniosa

Por Roberta Oliveira Juiz de Fora, MG

A confusão envolvendo a denúncia de injúria racial feita pelo goleiro Igor, do Operário-MT, contra um torcedor do Tombense será alvo de inquérito da Polícia Civil. O delegado titular da comarca de Tombos, Diêgo Candian Alves, explicou que a decisão foi tomada depois que o torcedor acusado pelo goleiro como sendo o autor da injúria racial procurou a delegacia e pediu uma representação contra Igor por calúnia.

O goleiro do Operário discute com torcedores do Tombense
O goleiro do Operário discute com torcedores do Tombense

Tombense e Operário-MT empatavam em 1 a 1, em partida válida pela oitava rodada do Grupo A6 da Série D do Campeonato Brasileiro, em Tombos, quando, aos 36 minutos do primeiro tempo, o árbitro Antônio Carvalho Schneider interrompeu a partida após desentendimento entre o goleiro Igor, da equipe visitante, e torcedores do time mineiro.

– Injúria racial é um crime previsto no 3º parágrafo do artigo 140 do Código Penal. A lei 12.033 de 2009 estabeleceu que se trata de ação penal pública, condicionada à representação da vítima. A pessoa precisa vir à Delegacia e oferecer representação formal para que o delegado possa instaurar o inquérito policial – comentou o delegado.

O delegado ressaltou que o inquérito vai investigar o caso de calúnia, já que o torcedor acusado de injúria, de 32 anos, foi o responsável por ir à delegacia fazer a representação formal contra Igor nesta segunda-feira.

– Até o presente momento, o goleiro não entrou em contato conosco, nem pessoalmente, nem por meio de advogado. O torcedor está aqui, com uma lista de pessoas que confirmam que ele não agiu como o descrito pelo goleiro e pedindo uma representação contra o jogador por calúnia – afirmou Diêgo.

Apesar de ter registrado Boletim de Ocorrência (B.O) na Polícia Militar, o delegado reforçou a necessidade de o goleiro entrar em contato com a Polícia Civil.

– Como determina a lei, mesmo com o B.O, ele precisa entrar em contato com a 38ª Delegacia de Polícia Civil em Tombos para formalizar a representação criminal. Se ele não puder ir pessoalmente, pode mandar advogado – destacou.

O delegado afirmou que, de acordo com a lei, a vítima tem um prazo de seis meses a partir da data do fato para apresentar a denúncia na Polícia Civil. Com os dois lados se acusando, Diêgo Candian explicou que ambos são autores e vítimas.

– Até então, ambos são autores e são vitimas. Duas hipóteses serão investigadas neste inquérito: a injúria racial, do torcedor contra o goleiro, e a calúnia, do goleiro contra o torcedor. Se no decorrer das apurações ficar comprovado que houve a injúria racial, o torcedor será denunciado. Caso não seja comprovado, o goleiro pode ser indiciado por denunciação caluniosa – esclareceu o delegado.

Durante as investigações, o delegado afirmou que, além do depoimentos dos dois envolvidos e testemunhas, vai pedir imagens do jogo. Como não houve réu preso, segundo Diêgo Candian Alves, o prazo para conclusão do inquérito é de 30 dias prorrogáveis por mais 30.

– Vou solicitar as imagens do jogo para perícia. Além disso, irei chamar as testemunhas e solicitar o depoimento do goleiro por carta precatória, considerando que ele reside em outra cidade – concluiu.

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O árbitro da partida, Antônio Carvalho Schneider, relatou na súmula o ato de injúria racial contra o goleiro. A primeira descrição da súmula informou o motivo do cartão vermelho:

Expulsei com cartão vermelho direto aos trinta e sete minutos do primeiro tempo o atleta número 1 (um) Sr. Igor Lemos Cajuhy do Operário/MT, que, segundo relato do assistente número 2 (Sr. João Luiz Albuquerque), pegou a bola que estava ao lado da sua meta e a chutou violentamente contra a torcida do Tombense/MG, localizada na arquibancada atrás da meta do goleiro citado. Cumpre ressaltar que o jogo estava paralisado no momento do fato relatado conforme descrito no relatório de ocorrências da partida.

No segundo momento, o árbitro também explicou o motivo da revolta do goleiro. Na súmula consta ainda que Igor questiona se Antônio Carvalho não faria nada diante da situação.

– Estão me chamando de macaco. O senhor não vai fazer nada? Estão me chamando de macaco.

O árbitro relata ainda que, diante disso, interrompeu o jogo e acionou a polícia para que fossem tomadas as devidas providências. Antônio descreve também que o goleiro conseguiu identificar a pessoa que o havia chamado de “macaco”. Após essa identificação, torcedor e goleiro foram para a delegacia, e o jogo prosseguiu.

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